Terça-feira, Fevereiro 08, 2005

Em defesa dos 'bons costumes'



O apelo feito ontem pelo pároco da Igreja de São João de Brito, para que os portugueses não votem nos partidos defensores do aborto, a eutanásia e os direitos dos homossexuais, tem por base um comunicado da Conferência Episcopal. Na homilia, o padre Loreno defendeu que um cristão deve seguir uma ética que não seja contraditória consigo próprio "A vida cristã promove a vida humana desde a concepção até à morte natural. Aborto nunca, eutanásia nunca!"

Na missa, transmitida pela emissora de rádio pública, o clérigo criticou também todos os partidos que defendem o casamento entre homossexuais. Mais uma vez, justificou-se com a doutrina da Igreja Católica para defender a posição "A ética cristã reprova que seja equiparada à família uma união de um homem com outro homem, de uma mulher com outra mulher. A mesma ética reclama que a aliança matrimonial seja indissolúvel. Poligamia nunca, divórcio nunca", concluiu o padre Loreno.

A Igreja recusou, no entanto, comentar o conteúdo da homilia do padre Loreno, não esclarecendo se esta é também a sua posição.nO Patriarcado de Lisboa remeteu a resposta para o seu site na Internet.

Isto é, e de acordo com o comunicado da Conferência Episcopal, divulgado em Dezembro de 2004,"o pluralismo político dos católicos não pode ser confundido com relativismo moral".

A Conferência Episcopal salienta que, "perante exigências éticas fundamentais e irrenunciáveis (...), os crentes têm, efectivamente, de saber que está em jogo a essência da ordem moral, que diz respeito ao bem integral da pessoa". Por outro lado, defende a Igreja, a "abstenção é reprovada e considerada uma grave omissão dos deveres de uma consciência católica". De acordo com o documento, o primeiro dever dos cristãos é a "participação responsável".

Embora reconheça que "a ninguém é permitido invocar exclusivamente a favor da própria opinião a autoridade da Igreja", o Patriarcado de Lisboa não poderá argumentar que o pároco de São João de Brito agiu isoladamente. O padre Loreno mais não fez do que repetir a linha doutrinal da Igreja.

In: DN


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